domingo, 19 de dezembro de 2010


(…)
I hate to see you cry
Your smile is a beautiful lie
I hate to see you cry
My love is dying inside
(…)

Senhorita liberdade

Seria mais fácil se ela não tivesse suspirado tão forte, e deixado escapar tanta tristeza. Aquilo deixou tudo em evidência, ele percebeu. Era o fim dos dois, e o começo dela. Dessa vez, a cinderela ficaria além da meia noite – muito além. O último abraço foi tão difícil quando o primeiro; não sentir nunca mais aquele perfume tão de perto parecia tão amedrontador quando senti-lo para sempre. Ela arriscou.


Enquanto ela o deixava para trás, sentia o assopro da liberdade. Aquele vento que ao mesmo tempo a fazia protagonista de um filme americano qualquer, a fazia tremer de frio – era medo - desesperadamente. Era uma extrema vontade de voar céu acima, com um medo de cair no chão inferno abaixo. Seja como for, já estava feio. Ela sobreviveria a falta de oxigênio e ao calor, ela era forte. Uma garota em busca da felicidade.

Atravessar a rua nunca foi tão difícil. Eu diria que naquele momento, ela era uma placa de transito, daquelas que todos os motoristas são obrigadas a olhar: Não vire, não ande rápido, não bata. Ela tinha acabado de cometer um acidente, e ao mesmo de salvar uma vida. A sua.

Ela não se sentia bonita – como se isso fosse possível – se sentia triste. Mal sabia ela, que aquela lágrima funcionava mais do que qualquer maquiagem da M.A.C.

Depois de ver centenas de carros passar, desistiu que mudaria o rumo de sua vida naquele exato momento. Queria conhecer e não se apaixonar pelo primeiro cara que visse – Alguém aí quer dar uma carona para uma pobre donzela ferida (ou seria um donzela malvada e sem coração?).

O destino estava literalmente em suas mãos. Aquele sinal, ou quem o visse, mudaria toda a sua vida. Eu diria que era impossível não se enxergar aquelas mãos brancas e macias com aquele esmalte rosa pink meio descascado – existe algum sinal de ansiedade maior que esmaltes descascados? acho que não – que ela pintara no dia anterior.

Depois de alguns instantes, um carro foi parando e se aproximando devagar – o destino vinha lentamente em um conversível cor prata, ela queria mais o que? Odeio garotas sortudas – como o se lugar onde ela se encontrava por acaso, fosse o destino de sempre.

- Gostaria de uma carona senhorita?

A síntese perfeita


“Sou tão misteriosa que não me entendo.”

"Sinto saudades de mim quando estava com você.
Sinto saudades do amor que eu sentia.
Sinto saudades da sua voz sussurrando "eu te amo" no auge do amor.
Sinto saudades das nossas bocas macias conjugando beijos.
Sinto saudades dos labirintos e dobras do teu corpo, das descobertas infinitas.
Sinto saudades das tuas mãos que eu sempre amei, desde sempre.
Sinto saudades da rotina, da cozinha, da música, das palavras.
Não era química... era eletricidade que unia nossos corpos e nossas almas... Lembra?"

A descoberta do amor

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.


Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.

Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.

Pois juro que a vida é bonita.”